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domingo, 12 de junho de 2011

Ex-aluno relata o drama de jovens na ditadura

Os horrores vividos no regime militar e a luta do movimento estudantil na década de 1970 permaneceram guardados na memória do engenheiro agrônomo e ex-estudante da UnB Antônio Ramaiana Ribeiro. As lembranças foram transformadas no livro UnB 1977 – o início do fim, no qual ele relata os momentos marcantes da história que ajudou a escrever.



“A geração de 70 viveu dentro do pesadelo e fez o sonho acontecer. A UnB foi um grande centro de resistência à ditadura”, aponta o autor. Na época, lembra Ramaiana, cerca de mil alunos foram expulsos e jubilados por perseguições políticas.

Três vezes preso e acusado de subversão, Ramaiana conheceu os porões da ditadura e sofreu os terrores da tortura psicológica. Os motivos para a detenção eram fúteis, como cantar músicas ou encenar peças teatrais censuradas pelo governo.

Imagens de uma universidade resistente

Fotos de Adonai Rocha, ex-aluno da Universidade de Brasília, mostram ocupação da UnB em 1977. Material ficou guardado por mais de 30 anos


O ano era 1977. O Brasil vivia a ditadura militar que, na universidade, era personificada pela figura do reitor José Carlos Azevedo, capitão-de-mar-e-guerra. No dia 6 de junho, a pedido dele, a polícia invadiu o campus da UnB para reprimir os estudantes. Na semana anterior, os alunos tinham decretado greve em reação à suspensão de 16 colegas. A ocupação duraria três meses.


Adonai Rocha, calouro da Comunicação, usou sua máquina fotográfica como arma para registrar a intimidação promovida pelo regime. As imagens revelam tanto a intimidação dos homens fardados quanto a resistência dos estudantes. Sempre unidos, os alunos reclamavam melhores condições de ensino, denunciavam a falta de instalações físicas e de professores. Também criticavam a ausência de liberdade de expressão e de organização.